Marataízes concentra, em cerca de 130 km² no extremo sul do litoral capixaba, boa parte do que o mar do Espírito Santo tem para mostrar: praias de mar aberto, lagoas de água doce coladas na areia e as falésias coloridas que viraram a imagem mais conhecida do município. A fama de balneário, porém, conta só metade da história. Foi ali, na Barra do Itapemirim, que o estado acendeu sua primeira usina elétrica, em 1901, décadas antes de o turismo descobrir a região. Hoje a Pérola Sul Capixaba multiplica de gente no verão e volta ao ritmo de cidade pesqueira no resto do ano. Este guia mostra como chegar a Marataízes – ES, qual praia escolher para cada plano e o que esperar das falésias.
Sumário
Como chegar pelo litoral ou pela BR-101
Marataízes fica na ponta sul do litoral do Espírito Santo, na divisa com Itapemirim – ES, município do qual se emancipou em 1992. São 41.929 moradores, segundo o Censo 2022 do IBGE, espalhados por 130,268 km² entre a linha da praia e as lavouras de abacaxi do interior do município.
Saindo de Vitória – ES, o percurso tem entre 130 e 150 km e leva cerca de 2h30, segundo a página da cidade no Descubra o Espírito Santo, plataforma oficial de turismo do governo estadual. Há 2 caminhos: pela BR-101 até a região de Rio Novo do Sul, com o trecho final pela ES-487 ou pela ES-060, ou pela Rodovia do Sol (ES-060) inteira, que margeia o litoral e passa por Guarapari, Anchieta e Piúma, a rota mais lenta e com mais paisagem. Quem vai de ônibus encontra linhas intermunicipais regulares saindo da capital, com mais horários na alta temporada.
Uma praia para cada plano: Central, Barra e lagoas
A Praia Central concentra a estrutura da cidade: bares, quiosques e restaurantes de frutos do mar na orla, que no verão ganha shows e eventos esportivos, segundo o portal estadual de turismo. É onde a moqueca capixaba e a torta capixaba aparecem nos cardápios ao lado do camarão e do peixe do dia, servidos de frente para o mar. O guia praia a praia, com o que muda de um trecho do litoral para o outro, está em praias de Marataízes.
A prática de quem frequenta a Central acrescenta dois avisos ao retrato oficial. A água morna e os preços tidos como justos mesmo na alta temporada aparecem com constância nos comentários de quem visita; as queixas que mais se repetem são o lixo deixado na areia e nas pedras e os trechos pedregosos da faixa, que pedem atenção na escolha do ponto de banho. O mar tem ondas o dia inteiro, o que agrada quem gosta de mar mexido e frustra quem procura água parada.
Para esse segundo grupo, a saída é dupla. A Praia da Barra, junto à foz do rio Itapemirim, é a opção de sossego e caminhada. Já as lagoas resolvem o banho calmo: a Praia de Lagoa Dantas tem águas indicadas para banho e esportes náuticos, e a Lagoa do Siri, cercada de restaurantes e espaços de lazer, é um dos cartões-postais do município, segundo a Secretaria de Turismo do estado. A cena que resume Marataízes é essa: água doce e mar separados por poucos metros de areia.

Falésias coloridas, o cartão-postal sem quiosque
As falésias são paredões de sedimento em tons de laranja, vermelho e branco que acompanham um trecho do litoral sul do município, protegidas como Monumento Natural Municipal Falésias de Marataízes. A luz baixa do começo e do fim do dia acentua as cores, e é nesses horários que fotógrafos e visitantes mais procuram o lugar.
Quem chega esperando estrutura de praia não encontra. Os comentários de visitantes repetem o mesmo retrato: nenhum quiosque ou restaurante na faixa de areia, sinalização escassa no acesso e estacionamento apertado, o que faz boa parte das visitas durar 20 ou 30 minutos, o tempo das fotos. Levar água e proteção contra o sol muda a experiência de quem pretende ficar mais. O banho pede cautela: o mar do trecho é agitado e não há posto de guarda-vidas por perto.
O alto dos paredões tem um uso próprio: a região aparece com recorrência como ponto de voo de parapente, e a vista de cima é tão citada quanto a paisagem vista da areia. Para quem não voa, o mirante natural no topo cumpre o papel.
Do porto do açúcar à primeira luz elétrica do estado
O nome Marataízes vem do tupi-guarani e significa água que corre para o mar, uma referência às lagoas e canais que desaguam na costa, de acordo com o histórico publicado pela Secretaria de Turismo. A ocupação da região começou cedo: em 1539, Pedro da Silveira instalou uma fazenda perto da foz do rio Itapemirim, e em 1771, depois de ataques indígenas às Minas do Castelo, moradores refugiados na foz fundaram a Freguesia de Nossa Senhora do Patrocínio, a atual Barra do Itapemirim.
No século XIX, o porto da Barra virou a porta de saída do açúcar, da aguardente e do café da região. O Trapiche, armazém erguido entre 1860 e 1883 pelo Barão de Itapemirim, guardava essa produção antes do embarque e funcionou até perder espaço para a ferrovia e as rodovias, e foi desativado na década de 1950. As ruínas seguem de pé e são um dos pontos históricos visitáveis da cidade, ao lado do Palácio das Águias, do século XIX, e da Igreja de Nossa Senhora dos Navegantes, do século XVIII.
Dois pioneirismos saíram desse mesmo pedaço de costa. Em 1887, a Barra do Itapemirim ganhou iluminação pública a querosene. Em 1901, o engenheiro Emílio Stein montou um gerador a vapor para iluminar sua oficina e o Trapiche, o que fez nascer a primeira usina elétrica do Espírito Santo. A emancipação política veio só no fim do século 20: Marataízes se separou de Itapemirim em 14 de janeiro de 1992 e teve a instalação oficial do município em 10 de janeiro de 1997.
Quando ir: verão cheio ou cidade vazia?
Depende do que se busca, porque a cidade muda de tamanho conforme a época. Nos comentários de quem visita na alta temporada, a descrição constante é a de uma cidade que multiplica de gente no verão, com a orla cheia e programação de shows; fora dela, o movimento cai e a noite fica parada, o que uma parte dos visitantes lamenta e outra parte procura de propósito. Famílias atrás de descanso costumam preferir justamente os meses vazios, quando as praias voltam ao ritmo local.
O calendário de festas ajuda a escolher a data. A Festa do Abacaxi, a Festa da Lagosta, a Festa das Canoas, a Festa de Nossa Senhora dos Navegantes e o Carnaval estão entre as celebrações listadas pelo portal estadual de turismo. As datas variam de edição para edição, então vale confirmar a programação nos canais da prefeitura antes de fechar a viagem.
A pérola que não vive só de verão
Praia com estrutura, lagoa de água doce, paredão colorido e um núcleo histórico que acendeu a primeira lâmpada elétrica do estado: Marataízes cabe em roteiros de perfis distintos. Se a Rodovia do Sol for o caminho da volta, dá para emendar com as praias de Guarapari e fechar o litoral sul inteiro numa viagem só. E quem já desceu até lá costuma ter uma preferência formada: o fim de tarde nas falésias ou a água doce da Lagoa do Siri?
Fotos: falésias de Marataízes – ES (capa) e lagoa junto ao mar (corpo), por Rômulo Gama Ferreira, via Wikimedia Commons (capa, corpo), licença CC BY 2.0, recortadas.






