O Circuito Caravaggio de Santa Teresa tem 9,5 km de rodovia estadual sem asfalto

Medição na base aberta do OpenStreetMap mostra quanto da rota entre as cantinas de Santa Teresa ainda é estrada de terra. Onde o circuito começa, o que visitar e que carro leva.

O Circuito Caravaggio, em Santa Teresa (ES), aparece nos guias de viagem como uma sequência de cantinas, vinícolas e cafés a cerca de 3 quilômetros do centro da cidade. Nenhum deles fala do piso. Numa leitura da base aberta do OpenStreetMap feita em 22 de agosto de 2026, a rodovia estadual que corta a área do circuito, a ES-368, aparece em três trechos que somam 9,47 quilômetros, e os três estão registrados como não pavimentados. Na mesma área, 58,6 dos 83,5 quilômetros de via com informação de superfície são de terra. O que vem abaixo é onde a rota começa, o que essa proporção muda na escolha do carro e o que há para visitar ao longo do percurso.

Onde começa o Circuito Caravaggio e como chegar

O circuito não tem portão nem guêrita. Ele começa na saída urbana de Santa Teresa, às margens da ES-261, e sobe no sentido de Itarana por uma estrada vicinal que os guias de turismo descrevem com cerca de 14 quilômetros. A altitude ajuda a explicar o clima e a produção: o percurso corre perto dos 1.000 metros, num município que já é o segundo mais alto do estado. Quem chega de fora costuma vir de Vitória, a 78 a 80 quilômetros conforme a fonte, o que dá algo em torno de uma hora e meia de carro.

Não há linha de ônibus que entre no circuito, e o transporte é particular ou contratado. Isso pesa porque as propriedades ficam distantes umas das outras e o trecho entre elas não tem calçada. Santa Teresa concentra a hospedagem e os serviços no centro, e o circuito funciona como um braço rural dessa base. Quem quiser entender a cidade antes de escolher onde dormir encontra o panorama em Santa Teresa (ES), e quem estiver montando um roteiro maior pelo estado pode encaixar a rota no que fazer no Espírito Santo.

Quanto do circuito é estrada de terra

A medição é simples de reproduzir. No recorte de 28,8 quilômetros quadrados que contém o circuito, a noroeste do centro de Santa Teresa, a base registra 83,45 quilômetros de via com etiqueta de superfície. Desses, 58,56 aparecem como não pavimentados e 24,89 como pavimentados, o que dá 70,2% de terra. Outros 17,71 quilômetros não têm a etiqueta preenchida e ficaram fora da conta.

O número mais direto está na rodovia estadual. A ES-368, que atravessa a área no sentido de Itarana, está mapeada em três segmentos de 7.722, 1.301 e 444 metros, e os três carregam a mesma etiqueta de piso não pavimentado. São 9,47 quilômetros de rodovia com placa de estado e sem asfalto. Vale o registro de que o OpenStreetMap é base colaborativa e a etiqueta pode estar desatualizada num trecho ou noutro, e por isso a leitura vem datada.

O poder público já tratou isso como problema. Em 5 de maio de 2023, a Prefeitura de Santa Teresa registrou a autorização estadual para pavimentar o circuito, com R$ 12,4 milhões na primeira etapa, um trecho de 7,4 quilômetros e previsão de conclusão em um ano. O portal da prefeitura não publicou depois disso um balanço de entrega, então o estágio atual da obra fica em aberto nesta página até que exista fonte oficial dizendo o contrário.

O que a rota reúne entre cantinas, vinícolas e cafezais

O que sustenta o circuito é a produção das propriedades, e não um atrativo único. A Secretaria Municipal de Turismo e Cultura organiza a visitação do município em nove roteiros oficiais, e o Caravaggio é o mais conhecido deles, com cerca de dezoito empreendimentos ao longo da estrada. Entre os nomes que a secretaria destaca estão a Casa dos Espumantes, apontada como pioneira do espumante capixaba, e a Vinícola Rassele, a mais antiga da cidade. A produção de vinho e espumante divide espaço com café de altitude, cervejarias artesanais, queijos e massas.

A lógica de funcionamento é a mesma do agroturismo praticado no resto da serra capixaba: quem produz recebe quem visita, dentro da propriedade, e vende ali mesmo. Isso muda o planejamento do dia, porque horário de visitação e dia de funcionamento variam de porteira para porteira, e boa parte das casas trabalha com agendamento em dia útil. A referência mais próxima no estado é Venda Nova do Imigrante (ES), que organizou o mesmo modelo em escala maior e há mais tempo.

O nome vem da devoção a Nossa Senhora do Caravaggio, trazida pelos imigrantes do norte da Itália que chegaram em 1875, e se repete na toponimia local e em vários estabelecimentos da estrada.

Que carro levar e qual a melhor época para ir?

Carro de passeio comum sobe a estrada em dia seco, e é assim que a maioria dos visitantes faz o percurso. A ressalva aparece na chuva, quando trecho de terra em declive vira o fator que decide se o passeio continua ou volta, e por isso há operadores locais vendendo a rota em veículo 4×4 como produto próprio. Quem vai com carro baixo, com pouca distância livre do solo, ganha em conferir a previsão antes de sair e em evitar o fim de tarde de dia chuvoso.

A janela mais confortável vai de abril a setembro, período mais seco na serra e de menor chance de pegar a estrada encharcada. A colheita da uva concentra movimento entre dezembro e fevereiro, que é a estação chuvosa, então quem for atrás da produção em curso troca conforto de estrada por calendário agrícola.

Uma rota de 14 quilômetros com dezoito portas para bater não se resolve em duas horas. Escolher três ou quatro paradas com agendamento confirmado e deixar o resto para a estrada costuma funcionar melhor. Quem já subiu o Caravaggio sabe onde vale parar sem hora marcada?

Foto de abertura: cantina às margens da ES-261, no início urbano do Circuito Caravaggio, em Santa Teresa (ES), por Pivotante, via Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 4.0, recortada.

Gostou desse conteúdo?
Compartilhe esse conteúdo

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *