Agroturismo em Venda Nova do Imigrante tem 70 propriedades e 44 no roteiro

A Prefeitura fala em 70 propriedades, a associação lista 44 no roteiro e o cadastro federal registra 2. Veja o que cada contagem mede.

O agroturismo em Venda Nova do Imigrante (ES) tem três contagens oficiais e elas não fecham. A Prefeitura fala em 70 propriedades envolvidas, a associação que mantém o roteiro lista 44 empreendimentos, e a base federal de prestadores especializados em segmentos turísticos registra 2 no município inteiro. Nenhuma das três está errada, porque nenhuma conta a mesma coisa: uma mede envolvimento na atividade, a outra mede participação num percurso organizado, e a terceira mede inscrição num registro do Ministério do Turismo.

A diferença muda o planejamento de quem vai subir a serra: saber que o roteiro organizado tem 44 endereços, e não 70, ajusta quantas porteiras cabem num fim de semana. As seções abaixo separam as três contagens e mostram por que o rótulo agroturismo não aparece na taxonomia do cadastro federal.

As três contagens do agroturismo não batem entre si

A Prefeitura de Venda Nova do Imigrante publica em sua página de agroturismo que a atividade envolve 70 propriedades, 300 famílias e 1.500 pessoas diretamente atuantes, ao lado do título de Capital Nacional do Agroturismo, conferido ao município pela Lei Federal 14.636, de 25 de julho de 2023.

A Agrotur VNI, associação fundada em 1993 que mantém o Roteiro Agroturismo, publica um número menor: 44 empreendimentos. A distância entre as duas contas não é contradição. A da Prefeitura é de propriedades envolvidas na atividade dentro do município, e a da associação é de empreendimentos que integram um percurso específico. Propriedade que recebe visita sem estar no roteiro entra na primeira conta e fica fora da segunda.

A terceira contagem é a mais baixa. Na base de prestadores especializados em segmentos turísticos do Cadastur, no segundo trimestre de 2026, Venda Nova do Imigrante aparece com 2 registros, contra 218 no Espírito Santo e 9.125 no país. A cidade que carrega o título nacional da atividade não está entre os 12 municípios capixabas com mais registros nessa base, lista encabeçada por Vila Velha (ES), com 39, e Vitória (ES), com 32.

Esse número não mede a atividade, mede a inscrição. A base registra apenas quem se inscreveu nela, e o rótulo que descreveria o agroturismo não está entre os valores que a coluna de segmentos mostra.

Por que o cadastro federal registra só dois prestadores?

Porque o rótulo não existe na base. Os valores que aparecem na coluna de segmentos turísticos do Cadastur somam 20 rótulos, depois de descontado o hífen que marca campo vazio, e uma varredura nos 9.125 registros do país não devolve nenhuma ocorrência da sequência agro. Nenhum rótulo carrega esse nome. O blog já tinha encontrado a mesma ausência ao tratar do que separa o agroturismo do turismo rural, e o recorte municipal confirma o achado por outro caminho.

O rótulo mais próximo existe e se chama Turismo Rural. Ele é declarado por 1.741 dos 9.125 registros do país, ou 19,1%. No Espírito Santo, são 71 de 218, ou 32,6%. O estado declara turismo rural numa proporção 1,7 vez a nacional, o inverso do que outra base do mesmo cadastro mostrou na cozinha capixaba, onde a proporção estadual ficou logo abaixo da média do país. As bases estão no portal de dados abertos do Ministério do Turismo, sob licença ODbL.

Quem procura a atividade pelo cadastro federal não a encontra pelo nome, e o limite está na taxonomia, não no município. A escassez também aparece do lado de quem guia: o Espírito Santo tem 43 guias de turismo cadastrados, e apenas 1 informa Venda Nova do Imigrante como município de residência.

O roteiro tem 160 quilômetros e um ponto de partida

A Agrotur VNI publica que percorrer todos os empreendimentos do Roteiro Agroturismo soma 160 quilômetros, com saída do Ponto de Informação Turística de Venda Nova. A mesma associação registra 105 quilômetros entre a cidade e Vitória, distância de bate-volta, ainda que a extensão do roteiro desaconselhe fazer tudo num dia.

A atividade começou antes da associação. A Agrotur data o primeiro passo em 1987, quando uma propriedade passou a beneficiar leite, café e milho para vender em casa, e situa a própria fundação em 1993, com outras famílias já envolvidas. A história da colônia italiana e do título da cidade está no post do município.

O que se prova nas porteiras é o que a Prefeitura lista: socol, limoncello, queijo tipo resteia, puína, grappa e caponata, mais café arábica, cachaça, doces, geleias, vinho e fubá de moinho de pedra. O socol é o único desses produtos com Indicação Geográfica reconhecida. No calendário, a associação destaca dois eventos culturais, a Serenata Italiana e a Festa da Polenta, que teve a edição de 2026 cancelada.

O que conferir antes de subir a serra

O roteiro não tem porteira única, então a conferência é por endereço e vale contato prévio com cada propriedade. Os 160 quilômetros publicados pela associação são a medida útil para dimensionar a viagem, mais do que o número de empreendimentos, porque 44 endereços nesse percurso não cabem num fim de semana.

Para encaixar Venda Nova num trajeto maior, o post das montanhas capixabas organiza os 10 municípios pela BR-262, e o guia do que fazer no Espírito Santo posiciona a cidade no estado.

Foto de abertura: parreiral em propriedade rural de Venda Nova do Imigrante (ES), por Vitor Jubini/MTur, via Wikimedia Commons, domínio público.

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