O preço do café conilon hoje no Espírito Santo muda conforme a fonte

Cepea e CCCV publicaram preços diferentes para o conilon no mesmo dia de julho de 2026. O que cada fonte cota, por que os números divergem e como ler a cotação antes de fechar a venda.

Quem procura o preço do café conilon hoje espera um número e encontra vários. No fechamento de 31 de julho de 2026, o indicador robusta do Cepea/Esalq marcou R$ 1.092,56 pela saca de 60 kg. Na mesma data, a bica corrida tipo 7/8 cotada pelo Centro do Comércio de Café de Vitória saiu a R$ 1.035,00. São R$ 57,56 de diferença entre duas fontes públicas, no mesmo estado e no mesmo dia. Os dois números estão corretos, e cada um descreve um café com classificação própria, entregue em condições comerciais próprias. Descobrir qual deles corresponde à saca que está no seu armazém muda mais a conta do que acompanhar a variação diária.

Quem cota o conilon capixaba em dia de pregão

Quem procura o preço do café conilon hoje no Espírito Santo tem três fontes públicas para consultar em dias úteis: o Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV), o indicador robusta do Cepea/Esalq e as cooperativas do interior, que divulgam o preço de compra do dia. Nenhuma das três mede exatamente a mesma mercadoria, e a tabela abaixo mostra onde cada uma se diferencia.

FonteCafé que ela cotaCondição de venda embutida
CCCVBica corrida, tipo 7/8, com até 13% de umidade e até 5% de brocaMercadoria ensacada, paga no interior do estado, sem ICMS, livre de Funrural, pagamento 1 dia após a entrega
Cepea/Esalq, indicador robustaTipo 6, peneira 13 acima, com 86 defeitosÀ vista, a retirar na origem, no próprio Espírito Santo, com o prazo de pagamento descontado pela taxa CDI
Cooperativas e agregadores por municípioConilon com os limites de umidade e broca que cada uma aceitaPreço de compra do dia na unidade, já considerando frete e classificação local

O CCCV publica em formato de tabela mensal, com uma linha por dia. Sábado, domingo e feriado ficam em branco, e o mês novo abre vazio, preenchido conforme os pregões acontecem. Quem abre a página no dia 1º ou no dia 2 encontra a tabela do mês anterior mais informativa que a do mês corrente, e é nela que estão a média mensal e a série para comparação.

Por que dois números certos não batem

A distância entre R$ 1.035,00 e R$ 1.092,56 na mesma data vem das condições de venda embutidas em cada cotação. O indicador do Cepea considera café tipo 6, mais limpo, a retirar na origem e à vista, com o prazo de pagamento descontado pela taxa CDI. A tabela do CCCV parte de mercadoria já ensacada, paga no interior do estado, sem ICMS e livre de Funrural, com pagamento um dia depois da entrega. São dois contratos diferentes descritos com a mesma palavra.

A diferença entre as espécies é bem maior que a diferença entre as fontes. No mesmo 31 de julho de 2026, o indicador do arábica do Cepea fechou em R$ 1.744,18, R$ 651,62 acima do robusta. Na tabela do CCCV daquele dia, o arábica bebida dura saiu a R$ 1.605,00 contra os R$ 1.035,00 do conilon. Quem produz nas montanhas capixabas acompanha outro mercado, com outra formação de preço, ainda que o grão saia do mesmo estado.

O que muda o preço da sua saca

Todas as fontes cotam por saca de 60 kg, o que torna a comparação possível. O que não se compara direto é a classificação, e são quatro os itens que mais deslocam o valor pago na balança:

  • Umidade: o padrão cotado pelo CCCV admite até 13%. Café acima disso perde peso na secagem do comprador, e o desconto sai do produtor.
  • Broca: o mesmo padrão aceita até 5% de grãos brocados. Acima do limite, o lote muda de tipo e desce de faixa.
  • Tipo e peneira: a bica corrida tipo 7/8 do CCCV e o tipo 6 peneira 13 acima do Cepea são cafés distintos. Comparar a cotação de um com a proposta recebida pelo outro produz falsa vantagem.
  • Município e frete: o preço na porta do armazém em São Gabriel da Palha – ES não é o mesmo de Linhares ou de Vitória, porque o custo de levar a saca até o comprador entra na conta antes do fechamento.

O calendário pesa junto: o conilon é uma espécie diferente do arábica, com colheita concentrada entre maio e agosto no norte capixaba, e a oferta de café novo pressiona o mercado físico nos meses de pico de entrega.

Como acompanhar sem depender de um número solto

A rotina que funciona para acompanhar o preço do café conilon hoje no Espírito Santo é comparar a mesma fonte ao longo dos dias, e não fontes diferentes no mesmo dia. O indicador robusta do Cepea traz variação diária e mensal na própria tabela, o que mostra a tendência sem depender de memória: em 31 de julho de 2026, ele registrava alta de 1,09% no dia e de 2,90% no mês. A tabela do CCCV serve para o mesmo exercício em base mensal, com a média fechada de cada mês.

Toda cotação publicada reflete o pregão anterior ou o fechamento do dia, então consultar a cotação numa segunda-feira de manhã costuma devolver o número de sexta. Em feriado estadual, a tabela também não se move, e o intervalo sem preço novo pode passar de 3 dias em emenda de feriado.

Para quem vende, o número que decide é o da cooperativa ou do comprador que vai pesar a saca. As tabelas do CCCV e do Cepea servem para saber se a proposta está dentro do mercado, com quanto de diferença e por qual motivo. Antes de fechar, confira em qual classificação o seu lote se enquadra e peça a cotação correspondente, porque o preço do café conilon hoje no Espírito Santo só vira decisão quando está atrelado ao tipo certo. O café capixaba também aparece nos roteiros de Santa Teresa, onde o arábica de altitude segue outra lógica de mercado.

Imagem de capa: ramo de café conilon carregado de frutos maduros. Foto de Yercaud-elango, via Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0, recortada.

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