São Mateus (ES) é a cidade do casario do Porto e da Ilha de Guriri

O casario do Porto, as ruínas da Igreja Velha, a distância até Guriri e Itaúnas e o que quem visitou diz do centro histórico.

São Mateus (ES) é o município do litoral norte capixaba que nasceu às margens do Rio Cricaré, onde os primeiros colonizadores portugueses chegaram por volta de 1544, segundo a prefeitura. A sede fica junto do rio, a 13 km de carro da praia mais próxima, e por isso quem procura São Mateus ES encontra duas cidades: a do casario do Porto e da Igreja Velha, no centro histórico, e a da Ilha de Guriri, onde fica a praia que leva o nome do município para fora do estado. O Censo de 2022 do IBGE contou 123.752 moradores, e a estimativa para 2025 é de 134.423.

Do Palácio Anchieta, em Vitória (ES), ao centro histórico de São Mateus são 218,3 km de carro, cerca de 3h47 sem trânsito, pela rota que o Casa Capixaba mediu em 19 de outubro de 2026. Este guia mostra onde a cidade fica e quem são os vizinhos, de onde vem a história, o que existe hoje no Sítio Histórico do Porto, onde estão as praias e como montar um dia entre o centro e o mar.

Onde fica São Mateus, cidades vizinhas e como chegar de Vitória

São Mateus fica no norte do Espírito Santo, entre Linhares, ao sul, e Conceição da Barra, ao norte, e o acesso principal é a BR-101, segundo o guia da Secretaria de Turismo do Espírito Santo. O IBGE coloca o município na mesorregião do Litoral Norte Espírito-santense, como sede da região imediata de São Mateus. Para o leste, o território chega ao Atlântico pela Ilha de Guriri e pelas praias de Barra Nova e Urussuquara.

As cidades vizinhas de São Mateus são Conceição da Barra ao norte, Pinheiros e Boa Esperança a noroeste, Nova Venécia a oeste, São Gabriel da Palha e Vila Valério a sudoeste, e Jaguaré e Linhares ao sul, segundo o verbete do município na Wikipédia. Parte delas já foi São Mateus: o histórico da Prefeitura de São Mateus diz que Nova Venécia, Boa Esperança e Jaguaré pertenciam ao território mateense, assim como Barra de São Francisco, que hoje não faz divisa com a cidade.

De ondeDistância até o centroTempo sem trânsito
Vitória (Palácio Anchieta)218,3 km3h47
Aeroporto de Vitória207,3 km3h31
Centro de Linhares82,2 km1h24
Vila de Itaúnas46,4 km52 min
Rotas de carro até a Igreja Velha, no centro de São Mateus, medidas no OSRM em 19/10/2026. O tempo não conta trânsito nem paradas.

O tempo da tabela é de estrada livre. Quem sai de Vitória numa sexta à tarde, ou na volta de feriado pela BR-101, deve contar com mais tempo do que as quase quatro horas da rota. Sem carro, o caminho é o ônibus até a rodoviária de São Mateus e o transporte local de lá para o centro ou para Guriri.

Qual a história de São Mateus?

A história de São Mateus começa com a chegada dos colonizadores portugueses ao Rio Cricaré por volta de 1544, data que a prefeitura usa como marco, e passa pelo porto do Cricaré, que movimentou a vila até meados do século XX. A própria prefeitura diz que há poucos registros sobre os primeiros anos do povoado. O nome, pela tradição que o histórico oficial repete, vem de uma visita do padre José de Anchieta num dia 21 de setembro, dia do evangelista São Mateus.

As datas administrativas estão no guia turístico da prefeitura: o povoado passou a distrito em 1751 e virou vila em 1764, ligada à Comarca de Porto Seguro, na Bahia. Quando a vila foi fundada, segundo o mesmo texto, mediram as ruas e o largo da igreja matriz, começaram a Casa de Câmara e Cadeia e instalaram o pelourinho. A vila virou município pelo Ato Provincial de 3 de abril de 1848, mas a festa da cidade continua em 21 de setembro.

A prefeitura descreve São Mateus como “berço da escravidão” e lembra que o município preserva até hoje comunidades quilombolas. O comércio de africanos acontecia na praça em frente ao cais, onde os cativos ficavam presos, segundo o texto oficial do Sítio Histórico. No fim do século XIX, o mesmo cais recebeu imigrantes italianos: a primeira leva desembarcou em 1887, segundo o historiador Eliezer Nardoto em Imigração Italiana em São Mateus (2009).

O rio também ditava o ritmo da cidade. O histórico oficial conta que, pela pouca profundidade do canal, os navios só entravam e saíam a cada 15 dias, nas luas cheia e nova, quando a maré sobe mais. Até o fim dos anos 1940, a região dependia de tropas de muares, de uma ferrovia e do movimento do porto. A partir de 1938, com a estrada para Linhares, o porto entrou em declínio e as casas comerciais mudaram para a cidade alta, que é o centro de hoje.

O que tem no Sítio Histórico do Porto

O Sítio Histórico do Porto é o conjunto de casarões coloniais na margem do Cricaré, na parte baixa da cidade, onde funcionou o cais que fez a riqueza da vila. Segundo a página do Sítio Histórico no guia da prefeitura, a aristocracia local trouxe arquitetos portugueses que ergueram a maioria dos casarões, e a cidade foi construída sem simetria, perto do rio, no padrão das cidades portuguesas com grande praça portuária. A visita é a pé, no largo entre os sobrados e a margem.

Na prática, o casario está pintado e conservado por fora, mas quase tudo fica fechado, segundo quem visitou. Das 60 avaliações mais recentes da ficha do Sítio Histórico no Google, lidas em 19 de outubro de 2026, 26 trazem texto, e 11 delas falam de abandono ou de pouco uso pelo poder público. Três relatos de 2025 dizem que o largo parece inseguro para andar sozinho, outro, de novembro de 2025, descreve o acesso como seguro, e um de outubro de 2025 conta que só a livraria e o largo estavam abertos. Quem vai ao Porto rende mais de dia e acompanhado, com a visita pensada para olhar a fachada, a margem e o rio, sem contar com museu ou loja aberta.

Duas avaliações de junho de 2025 citam uma restauração em andamento, e uma delas avisa para ter atenção no trecho de ladeira de pedras. O Casa Capixaba não encontrou, em 19 de outubro de 2026, comunicado oficial da prefeitura ou do governo do estado com o escopo e o prazo dessa obra. Por isso o guia trata a restauração como relato de visitante, e não como dado.

Rio Cricaré visto do alto em São Mateus (ES), com a margem coberta de mata, pasto verde ao fundo e casas na beira do rio sob céu com nuvens
O Rio Cricaré em São Mateus, visto do alto, em 2014.

A Igreja Velha e o centro na parte alta

A Igreja Velha é a ruína de uma igreja de pedra que ficou inacabada, no centro de São Mateus, a 600 metros de carro do Sítio Histórico do Porto. A construção começou no início do século XIX, com pedras que chegavam no lastro dos navios do porto e argamassa de cal e óleo de baleia, segundo o antigo guia turístico municipal citado pelo verbete da igreja na Wikipédia. Entre os atrativos do centro consultados, é o que tem mais avaliações: nota 4,5 em 2.167 avaliações no Google, na consulta de 19 de outubro de 2026.

A obra parou por decisão da Câmara. A ata reproduzida por Eliezer Nardoto em História de São Mateus (1999) registra que os vereadores preferiram terminar a matriz da praça de São Mateus, que custaria de 8 a 10 contos de réis, a gastar mais de 40 contos e cerca de 50 anos para concluir a igreja do Campo, como a Igreja Velha era chamada. A data da sessão varia entre as fontes que circulam: o verbete da igreja na Wikipédia diz 1853 no texto e 1843 no cabeçalho da ata que ele mesmo transcreve.

Das 40 avaliações mais recentes da ficha, 12 têm texto, quase todas curtas e de elogio à ruína como marco da cidade; uma pede um projeto público de conservação e outra reclama dos pombos. Perto dela ficam o Museu da História de São Mateus, na Rua Barão dos Aimorés (nota 4,3 em 84 avaliações), e a Praça do Mirante (4,3 em 96), que fazem do centro alto uma caminhada curta antes de descer ao Porto.

Ruínas de pedra da Igreja Velha no centro de São Mateus (ES), com o arco vazado da fachada, palmeiras atrás e gramado com caminho de pedra à frente, sob céu azul
As ruínas da Igreja Velha, no centro, em janeiro de 2022.

São Mateus é praia?

São Mateus tem praia, mas não no centro: o mar fica na Ilha de Guriri, a 13 km da sede, e nas praias do sul do município, que pedem mais estrada. A sede foi construída no alto e junto do rio, e a Ilha de Guriri fica entre o Atlântico e os rios Cricaré e Mariricu, segundo o guia de praias da prefeitura. O guia de Guriri, a praia da ilha de São Mateus, mostra como a orla muda de trecho em trecho e o calendário da desova das tartarugas.

Pela nota do Google na consulta de 19 de outubro de 2026, a Praia de Guriri tem 4,7 com cerca de 4 mil avaliações, o maior volume entre os atrativos consultados. Ao sul, a Praia de Barra Nova (4,6 em 48) e a de Urussuquara (4,5 em 264) ficam longe do centro e recebem menos gente. Na ilha também estão a Casa de Cabeça pra Baixo, com 4,6 em 1.273 avaliações, e a base do Projeto Tamar, com 4,0 em 274.

Praia de Guriri, em São Mateus (ES), com faixa larga de areia clara, ondas quebrando em várias linhas e mar aberto sob céu azul com nuvens
A Praia de Guriri, na ilha, em 2015.

A Vila de Itaúnas não é de São Mateus, e sim de Conceição da Barra, mas fica a 46,4 km do centro mateense e costuma entrar no mesmo roteiro. As dunas de Itaúnas pedem ao menos uma noite na vila, e em julho o Festival de Forró de Itaúnas ocupa a vila por oito dias.

As festas de São Mateus e o calendário do verão

A data maior de São Mateus é 21 de setembro, quando a cidade comemora o início da colonização e o padroeiro, segundo o histórico oficial. O guia da Secretaria de Turismo lista ainda a ExpoAgro, a Festa de São Benedito, a Festa de Nova Lima e a Festa de Santos Reis no calendário do município. A programação de cada festa sai no perfil oficial da prefeitura no Instagram, e o portal não encontrou, em 19 de outubro de 2026, calendário oficial com as datas de 2027.

Para o próximo verão, o anúncio já tem data. Em publicação de 15 de outubro de 2026, a prefeitura avisou que anuncia a programação do verão em 22 de outubro, e uma publicação de 11 de outubro no mesmo perfil chama a temporada de Verão Guriri 2027. Em outubro de 2026, a cidade recebeu também a Feira Internacional do Café Conilon, de 8 a 10 de outubro, e a primeira Expo Guriri de cavalos Mangalarga Marchador, de 9 a 11, as duas anunciadas no mesmo perfil.

O que fazer em São Mateus em um dia

Um dia em São Mateus cabe em duas partes: o centro histórico pela manhã e Guriri à tarde. A Igreja Velha e o Sítio Histórico do Porto ficam a 600 metros um do outro, e, pelos relatos de largo vazio, a ida ao Porto fica para a manhã, com dia claro. Depois do almoço, os 13 km até a ilha levam cerca de 14 minutos de carro, e a tarde fica para a praia, a Casa de Cabeça pra Baixo e a base do Tamar, que tem mais a mostrar entre setembro e março, na temporada de desova.

AtrativoOnde ficaDo centro, de carroNota no Google
Sítio Histórico do PortoCentro, na margem do Cricaré0,6 km4,2 (464)
Igreja VelhaCentroponto de partida4,5 (2.167)
Praia de GuririIlha de Guriri13,3 km4,7 (cerca de 4 mil)
Casa de Cabeça pra BaixoIlha de Guriri14,8 km4,6 (1.273)
Praia de Barra NovaBarra Nova36,1 km4,6 (48)
Cachoeira do Cravointerior, a oeste46,0 km4,6 (114)
Praia de Urussuquarasul do município53,7 km4,5 (264)
Notas e número de avaliações das fichas do Google consultadas em 19/10/2026; distâncias de carro a partir da Igreja Velha, medidas no OSRM na mesma data.

Quem tem mais tempo estica até Itaúnas, ao norte, ou até a Cachoeira do Cravo, no interior, a 46 km do centro. Para comparar com o resto do estado, o guia de o que fazer no Espírito Santo mostra os destinos a partir de Vitória, e o de praias do Espírito Santo situa Guriri no litoral norte. Se você já desceu ao Porto, o largo estava movimentado ou vazio no horário em que foi? A resposta pode entrar na próxima atualização deste guia.

Fontes: Prefeitura de São Mateus, páginas de história e do Sítio Histórico do Porto, consultadas em 19/10/2026, guia de praias (consultado em 13/10/2026), e publicações no Instagram oficial de 06/10, 09/10, 11/10 e 15/10/2026; Secretaria de Turismo do Espírito Santo, guia da cidade, consultado em 19/10/2026; IBGE, Censo 2022 e estimativa de população de 2025; Eliezer Nardoto, História de São Mateus (EDAL, 1999) e Imigração Italiana em São Mateus (2009), citados pelos verbetes da Wikipédia; Wikipédia, verbete do município (municípios limítrofes); OSRM, rotas de 19/10/2026; fichas do Google, notas consultadas em 19/10/2026 e relatos públicos de visita do Sítio Histórico do Porto (60 lidos) e da Igreja Velha (40 lidos). Imagem de abertura: casario do Porto de São Mateus, em 2015, de Thiagonegris, via Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0, recortada e com cor ajustada. Fotos: ruínas da Igreja Velha, em 2022, de Túllio F, via Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0, recortada e com cor ajustada; Rio Cricaré, em 2014, de jsilvares, via Wikimedia Commons, CC BY 3.0, recortada e com cor ajustada; Praia de Guriri, em 2015, de PabloKuster, via Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0, recortada e com cor ajustada.

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